Virginia Tech College of Agriculture and Life Sceinces/VEJA
Cientistas americanos descobriram uma nova forma de
comunicação entre plantas, que permite a troca de informações genéticas entre elas. Baseado no intercâmbio de
material genético,
esse processo permite que plantas parasitas exerçam um certo controle
sobre suas hospedeiras, diminuindo suas defesas, por exemplo. A pesquisa
abre as portas para uma área da ciência que explora como as plantas se
comunicam em escala molecular, além de ajudar a desvendar novas formas
de combater parasitas que prejudicam cultivos em diversas partes do
mundo. A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira (14), na revista
Science.
"A
descoberta desta nova forma de comunicação entre organismos mostra que
isto acontece muito mais do que se acreditava", afirma
Jim Westwood,
professor de patologia e fisiologia das plantas da Universidade
Estadual da Virgínia, nos Estados Unidos, e principal autor do estudo.
"Agora que sabemos que elas estão compartilhando toda essa informação, a
próxima pergunta é: o que exatamente estão dizendo umas as outras?"
O cientista analisou a relação entre uma planta parasita, a cuscuta, e duas hospedeiras,
Arabidopsis
(do mesmo gênero das couves) e o tomate. Em uma pesquisa anterior,
Westwood havia descoberto que durante a interação parasita ocorre um
transporte de RNA (molécula que transporta informação genética e
controla a produção de proteínas) entre as duas espécies. No novo
trabalho, ele e sua equipe aprofundaram o estudo sobre essa troca, e
analisaram o RNA mensageiro, que envia mensagens entre as células
dizendo a elas qual direção seguir e quais proteínas produzir.
Acreditava-se
que o RNA mensageiro era muito frágil e pouco durável, o que tornava
inimaginável sua transferência entre espécies. Porém, os novos
resultados mostraram que durante essa relação parasita milhares de
moléculas de RNA mensageiro estavam sendo trocadas entre as plantas,
criando um diálogo. Por meio desta troca, as plantas parasitas podem
ditar o que a planta hospedeira deve fazer, como diminuir sua defesa,
para tornar o ataque mais fácil. Westwood afirma que seu próximo
trabalho será descobrir exatamente o que o RNA está "dizendo".
"Plantas
parasitas são um grande problema para plantações que ajudam a alimentar
algumas das regiões mais pobres da África. Esta descoberta pode ajudar
no desenvolvimento de novas estratégias de controle, baseadas na
modificação da informação do RNA mensageiro que a parasita usa para
reprogramar a hospedeira", afirma
Julie Scholes,
professora da Universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha, que não
participou do estudo. "O RNA mensageiro pode ser o calcanhar de Aquiles
dos parasitas", afirma Westwood, que aposta em diversos usos possíveis
para sua descoberta.
Fonte:Planeta Sustentável